1 – Alguns amigos meus bebem com frequência, como falar com eles sobre esta questão?

Não existe uma reposta única para esta pergunta. Talvez o melhor a fazer seja procurar uma pessoa neutra (outro familiar, um professor,…), para que juntos pensem na melhor saída. Com isso não estamos dizendo que você não é capaz de tomar uma decisão, mas dividir responsabilidade pode ser muito mais reconfortante e tranquilo do que agir sozinho.

2 – Quando uma pessoa se torna dependente de álcool (alcoólico)?
Existem critérios que indicam quando uma pessoa está abusando de álcool e critérios que definem dependência ao álcool. São eles:

É considerado que uma pessoa ABUSA de álcool quando nos últimos 12 meses ela:

Não cumpriu suas obrigações
Fez uso recorrente em situação de perigo físico
Teve problemas legais devido ao consumo de álcool
Teve problemas Interpessoais por causa de seu consumo de álcool

Uma pessoa é considerada DEPENDENTE quando nos últimos 12 meses ela apresentou 3 ou mais dos seguintes critérios:

Tolerância ao álcool
Sintomas de abstinência
Aumento da quantidade ou tempo de consumo de álcool
Desejo ou incapacidade de diminuir o consumo
Diminuição de outras atividades, redução das atividades de lazer em função de beber
Gasto de grande parte do tempo para conseguir, usar ou se recuperar dos efeitos
Aumento das consequências negativas .

3 – Como se ajuda alguém a parar de beber?

Entre as pessoas que bebem além do limite conveniente, algumas desenvolvem um processo de dependência. Um indivíduo não se torna dependente de uma hora para outra, mas num processo contínuo, durante o qual pode passar de bebedor “social” para um uso abusivo, tornar-se um dependente leve e finalmente um dependente severo. Em cada uma dessas etapas, a forma de reverter o comportamento pode ser diferente. Uma pessoa que bebe socialmente, ao perceber que está exagerando ou que está tendo alguns prejuízos com isto, pode decidir diminuir ou eliminar a bebida de sua vida apenas por uma opção pessoal. Aquele que exagera na bebida, perde o autocontrole em algumas circunstâncias mas não é um dependente, pode se conscientizar dos riscos que corre com este comportamento e assumir atitudes mais prudentes em relação ao consumo de álcool, chegando mesmo a parar de beber por decisão própria. Já aquele que desenvolveu uma dependência da bebida, provavelmente não terá condições de parar de beber sem auxílio. O tipo de ajuda mais adequada para cada pessoa depende de suas características pessoais, da quantidade de bebida que costuma ingerir e de seu grau de dependência.

Os grupos de autoajuda são um tipo de tratamento bastante popular. O grupo Alcoólicos Anônimos (AA) é um exemplo desse tipo de encaminhamento que tem a vantagem de ser gratuito e bastante acessível. Existem grupos em escolas, igrejas, associações de bairro, locais de internação. Sua filosofia prega a abstinência total, considerando o alcoolismo uma doença incurável. Embora nem todos se adaptem a esse tipo de trabalho há muitos que se sentem acolhidos e encontram apoio para mudar sua relação com a bebida. Para os que são dependentes mais severos do álcool, existem tratamentos farmacológicos, utilizados geralmente em conjunto com um atendimento individual ou em grupo. É importante saber que não existe um medicamento que “cure” o alcoolismo, mas alguns remédios podem auxiliar o dependente a diminuir a vontade de beber e prevenir a recaída. Muitas pessoas se beneficiam de um tratamento ambulatorial, no qual o alcoolista comparece uma ou mais vezes por semana, geralmente para uma sessão de cerca de uma hora de duração. Este atendimento pode ser realizado em clínicas particulares e em hospitais públicos. Existem, por outro lado, indivíduos para os quais o tratamento mais adequado é a internação, especialmente aqueles que apresentam sintomas da síndrome de abstinência, como acordar tremendo e suando, ter alucinações, ansiedade, náusea, etc.

4 – Qual a relação de álcool no desenvolvimento de doença mental?

O uso abusivo de álcool pode estar associado ao desenvolvimento de doença mental, mas não obrigatoriamente. Vale ressaltar que a dependência de álcool é por si só uma doença mental.

Mas, complicações psiquiátricas realmente podem aparecer quando se faz uso ativo de álcool e mesmo após um tempo considerável de abstinência. Entre elas, destacam-se a depressão e quadros de ansiedade, tais como transtorno do pânico e ansiedade generalizada. Quadros psicóticos semelhantes à esquizofrenia (delírios/alucinações) podem ocorrer de forma aguda durante o consumo, desaparecendo completamente após tratamento específico ou permanecendo indefinidamente. Essa última situação é mais comum em indivíduos que já sejam predispostos à doença.

As complicações psiquiátricas após a interrupção do consumo podem estar relacionadas a sintomas de abstinência tardios que deixam o indivíduo ansioso e inquieto.

Podem haver, ainda, transtornos psiquiátricos anteriores e independentes do consumo de drogas, mascarados ou potencializados pelo uso de drogas ou pela síndrome de abstinência.

5 – O que é a tolerância ao álcool?

TOLERÂNCIA É A NECESSIDADE DE DOSES CADA VEZ MAIORES PARA SE OBTER O MESMO EFEITO DE ANTES. Quando as pessoas começam a usar uma droga frequentemente, o corpo cria mecanismos, adaptações que são a tolerância:

1. Maior agilidade na destruição da substancia pelo fígado e no cérebro.
2. Diminuição dos receptores no cérebro onde a substância age.
3. Diminuição da sensibilidade deste mesmos receptores à ação da droga.

Isso faz com a pessoa sinta menos o efeito da droga. Ela, então, aumenta a quantidade para sentir o mesmo efeito das primeiras vezes. A presença da tolerância é um indicativo da existência de dependência.

6 – O que é ressaca?

A ressaca é resultado de um consumo excessivo de álcool que intoxica o organismo, e se caracteriza por uma combinação de sintomas desagradáveis. Estes resultam do próprio efeito fisiológico do álcool no cérebro e nos outros órgãos do corpo; e do efeito tóxico de outros componentes presentes nas bebidas alcoólicas, especialmente o metanol.

Classe de Sintomas

Constitucional Cansaço, fraqueza e sede, dor de cabeça e nos músculos
Gastrointestinal Náusea, vômito e dores de estômago
Sensório Vertigem e maior sensibilidade à luz e som
Cognitivo Diminuição da concentração e da atenção
Humor Depressão, ansiedade e irritabilidade

 
 
7 – O que são as bebidas “ice”?

As bebidas conhecidas por “ice” são misturas de destilados (uísque, aguardente, rum ou vodca) com refrigerantes gaseificados, servidas geladas (ice = gelo).

Tais bebidas têm um teor alcoólico ao redor de 5%, semelhante ao da cerveja. No Brasil essa classe de bebidas conta com cerca de quinze marcas. As vendas de bebidas “ice” cresceram 88% entre 2000 e 2001.

A moda das bebidas “ice” é um fenômeno mundial, cujo foco são consumidores jovens.

As bebidas “ice” surgiram como alternativa ao consumo da cerveja, o primeiro tipo de bebida alcoólica experimentada pelos adolescentes.

8 – O alcoolismo é hereditário?

A herança genética pode explicar parcialmente a vulnerabilidade de alguns indivíduos à dependência do álcool, já que outros fatores também demonstraram estar relacionados. Entre eles podemos citar: estilo de vida, influência do meio, presença de eventos estressores e capacidade de enfrentamento frente aos problemas ou dificuldades.

Fonte: Site do Hospital Albert Einstein